Conheça as mancadas financeiras de quem tem muito dinheiro, e saiba como evitá-las.

Nascido em 1916, no bairro carioca de Botafogo, Jorge Eduardo Guinle, mais conhecido por Jorginho Guinle, era herdeiro de uma das famílias mais ricas do Rio de Janeiro no início do século 20. O famoso playboy brasileiro morou no hotel Copacabana Palace (fundado por seu tio, Octávio Guinle, em 1923) e gastou boa parte de sua fortuna, estimada em quase US$ 100 milhões, com festas luxuosas, viagens pelo mundo, presentes e mulheres, muitas mulheres. Guinle desfrutou da intimidade de atrizes de Hollywood como Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Ava Gardner. Gabava-se por nunca ter precisado trabalhar na vida e sua autobiografia foi titulada Um século de boa vida.

Guinle morreu aos 88 anos, em 2004, falido e morando de favor no hotel que já não pertencia mais à sua família. Histórias de pessoas que chegam a amealhar patrimônios bilionários, que depois são rapidamente dilapidados, são mais comuns do que se imagina. O ídolo pop Michael Jackson é o exemplo mais conhecido. Ao morrer, em 2009, suas extravagâncias haviam deixado para seus herdeiros uma dívida estimada em US$ 500 milhões. As estripulias do boxeador Mike Tyson, que desperdiçou seu dinheiro com limousines, mansões, festas e bichinhos de estimação nada baratos, como tigres-brancos, também ilustram a situação.

Entre os brasileiros, o falecido costureiro Clodovil Hernandes e o vivíssimo ex-jogador de futebol Romário, atual deputado federal pelo PSB-RJ, entram na lista dos que perderam muito dinheiro com má gestão financeira. Segundo consultores, extravagâncias, maus assessores e escândalos são os principais responsáveis pelos problemas financeiros de celebridades. Não são apenas famosos que perdem fortunas por erros na gestão do patrimônio. No Brasil, há pelo menos uma dezena de ex-ganhadores de prêmios de loteria que empobreceram em poucos anos. Mas também existem aqueles que construíram suas fortunas com suor e trabalho, ou simplesmente herdaram, e não souberam preservar o patrimônio conquistado.

Todos, sem exceção, cometeram alguns erros bem comuns. De acordo com Ernesto Leme, sócio responsável pela área de Wealth Management da Claritas Investimentos, é difícil mudar padrões de comportamento financeiro. “Existe o deslumbramento inicial, que vem acompanhado da dificuldade em gerir o patrimônio, muitas vezes por acreditar que, quando se tem dinheiro, não é necessário se preocupar com isso”, afirma Leme. Segundo ele, é importante que as pessoas entendam que, sem gestão, o dinheiro não dura para sempre. “Em geral, quem tem muito dinheiro não se preocupa com o futuro, e esse é um dos principais erros dos endinheirados”, afirma.

Fonte: Isto É Dinheiro, Edição: 801
Por Patrícia Alves

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