A preocupação das empresas com a saúde financeira de seus funcionários, um assunto que até pouco tempo atrás nem sequer era incluído na pauta de reuniões do recursos humanos, de alguns anos para cá passou a ser tratado como prioridade em companhias dos mais diferentes portes, setores e nacionalidades. Pesou e ainda pesa nesse sentido um fator crucial – a constatação de que funcionários com problemas financeiros produzem menos do que são capazes.

Para Elaine Regina Mattioli, diretora de recursos humanos da Termomecânica, a mudança ocorre porque o funcionário passa a considerar que “a empresa está mais preocupada comigo do que eu mesmo estou”.  O trabalho realizado pelo R.H. englobou uma palestra motivacional, workshops e aconselhamento individual a um grupo de 25 funcionários.

Passado um ano, os resultados apresentados pela primeira turma foram encorajadores. Quando o grupo foi iniciado, 48% dos 25 funcionários informaram estar endividados, e atualmente o percentual é de 9%. parte do salário, também houve uma melhora significativa. O percentual dos que começaram a poupar subiu de 14% para 46%. Por conta disso, a empresa deu continuidade ao trabalho ampliando a base de colaboradores beneficiados pela iniciativa.

A Holcim, indústria cimenteira com cerca de 2 mil funcionários no país, realizou em 2011 um levantamento socioeconômico e o resultado chocou a direção da empresa, porque uma parcela significativa de seu quadro informou estar endividada. “Foi um susto, porque havia funcionários abaixo da linha de pobreza”, diz Michaela Rueda, diretora de recursos humanos.

A empresa iniciou um projeto-piloto de educação financeira, também em parceria com o Grupo Dsop. De 440 trabalhadores das unidades nas cidades de Pedro Leopoldo e Nova Lima (MG), 331 participaram da primeira etapa do programa, que consistiu em uma palestra e explicações do conceito. Em seguida, foram abertas as inscrições para o curso, que teve como pré-requisito a obrigatoriedade de que o funcionário deveria participar acompanhado de seu cônjuge – 77 trabalhadores se inscreveram. As aulas, com duração de oito horas, são dadas fora do horário de expediente, e as primeiras turmas tiveram início em outubro. A expectativa é de que até dezembro todos os 77 funcionários e familiares tenham encerrado o curso.

Fonte: Valor Econômico

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